quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A RENÚNCIA IMPOSSÍVEL
Agostinho neto



I Negação
 Não creio em mim
Não existo
Não quero eu não quero ser
Quero destruí-me
- Atirar-me de pontes elevadas
e deixar-me despedaçar
sobre as pedras duras das calçadas
Pulverizar o meu ser
desaparecer
não deixar sequer traço de passagem
pelo mundo.
Quero matar-me
e deixar que o não-eu
se aposse de mim.
Mais do que um simples suicídio
quero que esta minha morte
Seja uma verdadeira novidade histórica
um desaparecimento total
até mesmo nos cérebros
daqueles que me odeiam
até mesmo no tempo
e se processe a História
e o mundo continue
como se eu nunca tivesse existido
como se nenhuma obra tivesse produzido
como se nada tivesse influenciado na vida
como se em vez de valor negativo
eu fosse Zero.
Quero ascender, subir
elevar-me até atingir o Zero
e desaparecer.
Deixai-me desaparecer!
Mas antes vou gritar
com toda a força dos meus pulmões
para que o mundo oiça:
- Fui eu quem renunciou à Vida!
Podeis a continuar a ocupar o meu lugar
vós os que mo roubastes
Aí tendes o mundo todo para vós
para mim nada quero
nem riqueza nem pobreza
nem alegria nem tristeza
nem vida nem morte
nada.
Não sou. Não existo. Nunca fui.
Renuncio-me
Atingi o Zero
E agora,
Vivei, cantai, chorai
casai-vos, matai-vos, embriagai-vos
dai sêmolas aos pobres.
Nada me pode interessar
que eu não sou
Atingi o Zero!
Não contem comigo
para vos servir às refeições
nem para cavar os diamantes
que vossas mulheres irão ostentar em bares e salões
nem para cuidar das vossas plantações
de café e algodão
não contem com amas
para amamentar os vossos filhos sifilíticos
não contem com operários
de segunda categoria
para fazer o trabalho de que vos orgulhais
nem com soldados inconscientes
para gritar com o estômago vazio
vivas ao nosso trabalho de civilização
nem com lacaios
para vos tirarem os sapatos
de madrugada
quando regressardes de orgias nocturnas
nem com pretos medrosos
para vos oferecer vacas
e vender molho a tostão
nem com corpos de mulheres
para vos alimentar de prazeres
nos ócios da vossa abundância imoral.
Não contem comigo
Renuncio-me.
Eu atingi o Zero
Não existo. Nunca existi.
Não quero vida nem morte
Nada!
Podeis agora queimar
os letreiros medrosos
que às portas dos bars, hotéis e recintos públicos
gritam o vosso egoísmo
nas frases: “SÓ PARA BRANCOS” ou “ONLY TO COLOURED MEN”
Negros aqui .Brancos acolá.
Podeis acabar
com os miseráveis bairros de negros
que vos atrapalham a vaidade
Vivei satisfeitos sem “colour lines”
sem terdes que dizer aos fregueses negros
que os hotéis estão abarrotados
que não há mais mesas nos restaurantes.
Banhai-vos descansados
nas vossas praias e piscinas
que nunca houve negros no mundo
que sujassem as águas
ou os vossos nojentos preconceitos
com a sua escura presença.
podeis transformar em toureiros
ou em magarefes
os membros da  Ku-klux-klan
para que matem a sua fome sanguinária
nas feridas dos touros que descem à arena.
Não há negros para linchar!
Porque hesitais agora!
Ao menos tendes oportunidade
para proclamardes democracias
com sinceridade
Podeis inventar uma nova História.
Inclusivamente podeis atribuir-vos a criação do mundo.
Tudo foi feito por vós
Ah!
que satisfação eu sinto
por ver-vos alegres no vosso orgulho
e loucos na vossa mania de superioridade.
Nunca houve negros!
A África foi construída só por vós
A América foi colonizada só por vós
A Europa não conhece civilizações africanas
Nunca um  negros beijou uma branca
nem  um negro foi linchado
nunca mataram pretos a golpes de cavalomarinho
para lhes possuírem  as mulheres
nunca extorquiram  propriedades a pretos
não tendes, nunca tivestes filhos com sangue negro
ó racistas de desbragada lubricidade
Fartai-vos agora dentro da moral.
Que satisfação eu sinto
por não terdes que falsear os padrões morais
para salvaguardar
o prestigio, a superioridade e o estômago
dos vossos filhos.

Ah!
O meu suicídio é uma novidade histórica
é um sádico prazer
de ver-vos bem instalados no vosso mundo
sem necessidade de jogos falsos.
Eu elevado até o Zero
eu transformado no Nada-historico
Eu no inicio dos Tempos
eu-Nada a  confundir-me com  vós-Tudo
sou o verdadeiro Cristo da Humanidade!
Não há nas ruas de Luanda
Negros descalços e sujos
a pôr nódoas nas vossas falsidades de colonização
em Lourenço Marques
em Nova York, em Leopoldville
em Cape-Town
gritam pelas ruas
a foguetear  alegria nos ares:
-Não há negros nas ruas!
Nunca houve.
Não há negros preguiçosos
a deixar os campos por cultivar
e renitentes à escravização
já não há negros para roubar.
Toda a riqueza representa agora o suor do rosto
e o suor do rosto é a poesia da vida.
Não existe música negra
Nunca houve batuques nas florestas do Congo
Quem falou em spirituals?
Vá de enchem os salões
de Debussy Struss Korsakoff.
Já não há selvagens na terra.
Viva a civilização dos homens superiores
sem manchas negróides
a perturbar-lhe a estética!
Nunca houve descobrimentos
a África foi criada  com o mundo.
O que é a colonização?
O que são massacres de negros?
O que são os esbulhos de popriedade?
Coisas que ninguém conhece.
A história está errada
Nunca houve escravatura
nunca houve domínio de minorias
orgulhosas da sua força

Acabai com as cruzadas religiosas
A fé está espalhada por todo mundo
sobre a terra só há cristãos
vós sois todos cristãos.
Não  há infiéis por converter
Escusai de imaginar mais infidelidades religiosas
para justificar
Repugnantes actos de barbarismo.
Não necessitais enviar mais missionários
a África
nem aos bairros de negros
Nunca houve feitiços
nem concepções religiosas diferentes
nunca houve religiosos a auxiliar a ocupação militar.
Acabai tudo, tudo
e vós sois todos irmãos.
Podeis continuar com os vossos sistemas
socialistas ou capitalista
que isso não me interessa.
Explorai o proletariado
ou dai-lhe de comer
isso é convosco.
Continuai com os vossos sistemas políticos
ditaduras democracias.
Matai-vos uns aos outros
lutai pela glória
lutai pelo poder
criai minorias fortes
que protejam os seus comp…
apadrinhai os afilhados dos vossos  amigos
criai mais  castas
aburguesai as ideias
e tudo sem a complicação
de verdes  intrusos
imiscuir-se na vossa querida
e defendida civilização
dos homens privilegiados.
Homens irmãos
dai-vos as mãos
gritai a vossa alegria de serdes sós
SÓS!
únicos  habitantes da Terra.

Eu atingi o Zero!
Isto s implica extraordinariamente
a vossa ética.
Ao menos não percais agora
a ocasião de serdes honestos.
Se houver terramotos
Calamidades, cheias ou epidemias
ou terras a defender da invasão das águas
ou motores parados nas lamas a de selvas africanas
raios partam!
já não tereis de chamar-me
para acudir ás vossas desgraças
para reparar os vossos desastres
ou para carregar com a culpa das vossas incúrias.
Ide para o diabo!
Eu não existo
Palavra de honra que nunca existi.
Atingi o Zero
o  Nada.
Abençoada a Hora
do meu super-suicidio
para vós
homens que construís sistemas morais
para enquadrar imoralidades
O sol brilha só para vós
a lua reflecte luz só para vós
nunca houve esclavagistas
nem massacres
Nem ocupações da África.
Como até a história
se transforma num Tratado  Moral
sem necessidade de arranjos apressados!
Não existem os pretos dos cais e do caminho de
ferro.
Nos locais de trabalho nunca se ouviram cantos
dolentes
só há chiadeira do guindastes.
Nunca pisaram os caminhos do mato
carregados com  quilos às costas
são os motores que se queimam sob as cargas
Ó pretos submissos humildes ou tímidos
Sem lugar nas cidades
ou nos escaninhos da honestidade
ou nos recantos da força
com a alma poisada no sinal menos,
polígamos declarados
dançarinos de batuques sensuais
sabei que subistes todos de valor
Atingistes o Zero
sois Nada
e salvastes o Homem.
Acabou-se o ódio de raças
e o trabalho de civilização
e a náusea de ver meninos negros
sentados na escola
ao lado dos meninos de olhos azuis
e as extorsões e compulsões
e as palmatoadas e torturas
para obrigar inocentes a confessar crimes
e  os medos de revolta
e as complicadas demarches politicas
para iludir as almas simples.
Acabaram-se as complicações sociais!
Atingi o zero
Cheguei à hora do inicio do mundo
E resolvi não existir.
Cheguei ao Zero-Espaço
ao nada-tempo
ao Eu coincidente com vós-Tudo.
E o que é mais importante
Salvei o mundo.

II Afirmação

 Ah!
Faça-se luz no meu espírito
LUZ!
Calem–se as frases loucas
Desta renúncia impossível.
Eu–todos nunca me enganei
nunca coincidirei com o nada
não me deitarei nunca debaixo dos comboios
Não fui eu quem falou
da salvação do mundo
à custa da minha existência
da transformação do valor negativo em Zero
por meio do castigo ao inocente
em super – suicídio novidade histórica
Quem falou não fui eu
foi a minha loucura.
O meu lugar está marcado
no campo da luta
para conquista da vida perdida
Eu sou. Existo
As minha mãos colocaram pedras
nos alicerces do mundo
Tenho direito ao meu pedaço de pão
Sou um valor positivo
da humanidade
e não abdico,
nunca abdicarei!
Seguirei com os homens livres
O meu caminho
para a liberdade e para a Vida.

Perdoem–me os cinco minutos de loucura
que vivi.

Publicado na página da Fundação António Agostinho Neto,
Busca de Ismael Fortunato

terça-feira, 27 de setembro de 2011

SOBRE OS MEMBROS


SOBRE OS MEMBROS


Ismael Fortunato
Director Geral

Ismael Fortunato, pseudónimo artístico de Fortunato Pereira Amadeu filho de Eusébio Amadeu e de Helena Armindo Pereira, nasceu em Luanda no dia 03 de Outubro na Maternidade Lucrécia Paim. Solteiro, sem filhos. Ingressou no grupo ao 25 de Agosto de 2007 e três meses depois passou a integrar a direcção do grupo desempenhando a função de Director Artístico, Financeiro e Relações Públicas, é actualmente o Director Geral do Grupo eleito a 26 de Dezembro de 2010, sucedendo José Faustudo Vicente (Laton). Contribuições em prol ao desenvolvimento do grupo: Entre as várias contribuições destacam-se a Escrita do Lema do Grupo, escreveu o Estatuto do grupo com o Osvaldo Pereira, criou também o logótipo do grupo com o Albano Neto e fez também os primeiros passes que o grupo usou. É responsável, carismático, sabe trabalhar em grupo e faz de tudo para ajudar o grupo a desenvolver. É um precursor do desenvolvimento do grupo.

Albano Pedro Neto
Director Artístico

Albano Pedro Neto, pseudónimo artístico Albano, nasceu em Luanda ao 08 de Abril. Solteiro, sem filhos. Ingressou no grupo em 2008. Desempenhou a função de Responsável pelo Marketing do grupo, é actualmente o Director Artístico, Financeiro e Relações Públicas do grupo, nomeado pelo Director Geral ao 02 de Janeiro de 2011, sucedendo Ismael Fortunato. É também o designer do grupo.
Contribuições em prol ao desenvolvimento do Grupo: Melhorou as publicidades, teve a iniciativa na criação do logótipo do grupo, fundou o Jornal Nguzu Ya Kuzola (…), é batalhador, responsável, se sacrifica pelo grupo o que faz com que seja um potencial candidato a Direcção Geral do grupo.

José Faustudo Vicente
Conselheiro do Director Geral e Fundador do Grupo

Laton ou Didi é assim conhecido o carismático José Faustudo Vicente. Nasceu em Luanda ao 28 de Maio. Vive maritalmente, tem uma filha Lúcia. É fundador do grupo, junto com Lorito Domingos, primeiro presidente do grupo, desempenhou funções como Director Geral e Marketing do grupo da fundação, isto é, de 27 de Fevereiro de 2007 até 26 de Dezembro de 2010, data esta que passou a direcção geral a Ismael Fortunato. É actualmente o Conselheiro do Director Geral do grupo, nomeado pelo Director. Contribuições em prol ao desenvolvimento do grupo: fundou o grupo, produziu vários espectáculos para o grupo, contratou um grande Encenador para o grupo, escreveu Mas é Azar,(…).
Além de fundador é um precursor do desenvolvimento do grupo.
Elvio Alves Agostinho
Encenador

Tino “Chiranga” é o pseudónimo artístico de Elvio Alves Agostinho, nasceu em Luanda ao 25 de Novembro.
Solteiro, tem um filho. Ingressou no grupo a convite de José Vicente ao 13 de Março de 2007 e desde esta data foi sempre um pilar importantíssimo no grupo, plantou amor, respeito, coragem, espírito de persistência e coragem nos actores, e hoje está a colher tudo que ele semeou, tem a admiração, o respeito de todos no grupo, abraçou o grupo e hoje o grupo é o que é, graças ao desempenho deste camarada. Está neste momento a formar-se nos Estados Unidos da América e continua como Encenador, sendo auxiliado por António Campos.
Contribuições em prol ao desenvolvimento do grupo: Escreveu a obra de estreia do grupo (Sofrimento da Vida), e muitas outras, escreveu o Hino do grupo, é o melhor encenador que o grupo já teve, é impossível citar todas as contribuições que já fez em prol do grupo.


António Sebastião Campos
Encenador em Exercícios


Black, é assim conhecido António Sebastião Campos de nome artístico Solitário, , nasceu em Luanda ao 23  de Maio, na maternidade. Estado civil solteiro, vive maritalmente tem dois filhos, o Leo e a Najandra. Ingressou no grupo em 2007, desde sempre destacou-se nas principais personagens das obras e sempre conseguiu conquistar o Encenador. Batalhador, responsável, responsabilidade esta que lhe levou a ser Director Artístico do grupo se bem que por pouco tempo, visto que cobrira o vazio que Ismael Fortunato deixara quando ausentou-se por questões de trabalho, mas tarde com a nova direcção formada passou a ser o Encenador em exercícios do colectivo de Artes Nguzu Ya Kuzola.
Contribuições em prol ao desenvolvimento do Grupo: Sempre foi um pilar como actor, exemplar, logo serve como modelo para vários actores no grupo, e é muito admirado pelo público fazendo com que aumenta-se o público do grupo, trouxe actrizes, actores para ingressar no grupo e escreveu O que farias?, Ironia do Destino, obras bastante aplaudidas.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

ESPECTÁCULO DE BENEFICIÊNCIA

O Colectivo de Artes NGUZU YA KUZOLA funado a 27 de Fevereiro de 2007, com o seu caracter solidário vem por intermédio desta Comunicar  aos caríssimos Internautas e publico geral que a recolha de donativos do espectáculo de Beneficiência será feita nos dias 28 e 29 de Maio no Colégio Cristo Salvador, ao lado do Colégio Mandumbo defronte a Maternidade da Samba "ANA PAULA"  a partir das 16h00, leve o seu donativo ou compre um ingresso no valor de 500 Kz e faça uma criança Feliz. e Junte-se a nós na grande festa do dia 01 de Junho no Bairro Areia Branca, nos arredores da Coreia junto ao Mausoleo.

Não precisamos esperar até este ponto.





Para mais informações Contacte: 912532146 / 926490810
Ou pelos E-mails: nguzuyakuzola@hotmail.com; ismaelfortunato.ao@hotmail.com

sexta-feira, 6 de maio de 2011

MEMBROS DO GRUPO

COLECTIVO DE ARTES
NGUZU YA KUZOLA

LISTA DOS INTEGRANTES DO GRUPO E SUAS RESPECTIVAS FUNÇÕES




Nome Completo
P. Artístico
Função no Grupo
Fortunato Pereira Amadeu
Ismael Fortunato
Director Geral / Responsável
 Albano Pedro Neto
Albano
Director Artístico
José Faustudo Vicente Laton “ Didi”
Conselheiro D.G / Fundador
Elvio Alves Agostinho
Tino “Chiranga”
Encenador / Conselheiro
António S. Campos
Black “ Solitário”
Encenador / Dir. Prod. Estudos
Joana Kiambo Cúnua
Joana
Actriz
Manuela C. A. Bondo
Nela
Actriz
Macumbi Moisés Tudo
Kilapi
Actor / Disciplinador
Zinha Carlos António
Mara
Actriz
Dala Dembue Gonga
Duda MC
Actor / Coordenador
Hipólito José de Oliveira
Kapó
Actor
Albano Alexandre Dala
Bany
Actor
Elifania Cesária
Fany
Actriz
Osvaldo
Anjo
Actor

















O Responsável
 ___________________________
Ismael Fortunato